Publicado por: moacirmolotov | 02/12/2009

Exercícios de Desconforto – A Arte de Gostar de Sofrer – Parte I


Na era do Ipod, do Iphone, do Idoser, do Inumpode, do Iseiláoque, o cinema de horror americano (Fraco, fraco, fraco), baseia-se na criação de remakes de filmes de horror orientais (ou americanos mesmo) que não assustam nem uma garotinha de 5 anos (Esses fantasmas pálidos e cabeludos já deram no saco, não é mesmo?).

Os melhores filmes de horror da atualidade surgiram das mentes de diretores espanhóis como Jaume Balagueró (Rec, Terror em Mercy Falls) e J.A. Bayona (O Orfanato), ou de ingleses, como Tom Shankland (The Children) ou Neil Marshall (Abismo do Medo), mas o gore, o splatter, a extrema escatologia e as cenas de extrema violência aplicadas por pessoas de verdade são meio que deixadas de lado (Com exceção de “The Children”, que conta com algumas das mortes mais violentas e realistas do cinema atual).

Tá a fim de ver coisa feia? Ta a fim de ficar em choque? Então reconsidere: O que pode ser mais assustador que a mente humana? Do que uma pessoa é capaz quando sua sanidade está afetada, ou quando algum ente querido foi assassinado? A qual ponto de violência pode chegar uma vingança de crime passional?

Bem, se você procura por cenas fortes, atuações impactantes e histórias que poderiam muito bem acontecer com aqueles esquisitos da casa ao lado, aqui vão algumas dicas do que a indústria cinematográfica tem produzido de mais angustiante, absurdo, desconfortável, desgraçado, e é claro, extremo:

1- Dans ma Peau – Dirigido em 2002 pela francesa Marina de Van, e traduzido para o inglês como “In my Skin”, o filme (simples, em sua essência) conta a história de “Esther” (Interpretada pela própria diretora “Marina de Van”), uma mulher bem sucedida que após se machucar (machucar de verdade, de abrir buraco que cabe um isqueiro na perna, praticamente) em uma festa, começa a ficar fascinada pela sua própria pele, cortando pedaços dela, ingerindo-a, guardando-a e obtendo prazer com isso. Em meio a fortes, extremamente explícitas e realistas cenas de auto-mutilação e canibalismo, o filme é sobrecarregado com um clima desagradavelmente sombrio, e torna-se ainda mais impactante devido à naturalidade com que o assunto é tratado em uma obra arrastada e, em diversos momentos, extremamente nojenta. Não se trata de um filme de horror, mas com certeza vai deixar muitas pessoas mais horrorizadas, ou pelo menos inconformadas, do que os filmes do gênero. “Dans ma Peau” não é um filme fácil, nem agradável, mas acertou em cheio com seu doentio glamour masoquista.

 

 

Mário Ribeiro


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